9# ARTES E ESPETCULOS 23.4.14

     9#1 TELEVISO  LONGA VIDA AOS MORTOS
     9#2 CULTURA  DA MATRIA DOS SONHOS
     9#3 VEJA RECOMENDA
     9#4 OS LIVROS MAIS VENDIDOS
     9#5 J.R. GUZZO  A CASA NO PODE CAIR

9#1 TELEVISO  LONGA VIDA AOS MORTOS
A humanidade foi sempre obcecada pela ideia da ressurreio. Mas trs novas sries sugerem que a volta dos que morreram  vida no traria conforto, s mais dor. 
MARCELO MARTHE 
     
     Os habitantes de Arcdia, no Estado do Missouri, se renem na igreja em busca de respostas espirituais para um fenmeno que abala a cidadezinha. Em vez de trazer consolo, no entanto, o culto vira um melanclico barraco. Uma fiel pergunta ao pastor se o garoto Jacob (Landon Gimenez), que morreu afogado trinta anos antes e acaba de reaparecer vivssimo, exibindo a mesma aparncia de criana, deve ser encarado como prova da bondade de Deus. Outra mulher d o veredicto oposto: obra do demnio. No meio do fogo cruzado, o pastor  acusado de esconder que sua antiga namorada, uma suicida, tambm voltou da tumba em tima sade. Embora provoque alegria efmera em alguns, o retorno dos mortos vai deixando apenas um rastro de desassossego no cenrio fictcio de Resurrection. Sucesso nos Estados Unidos, a srie em exibio no canal brasileiro AXN (e que tem Brad Pitt entre seus produtores) recicla uma premissa de longa vida til na fico. O mesmo argumento sustenta Les Revenants, srie francesa recm-exibida e volta e meia reprisada pelo canal Max. Como em Resurrection, os mortos de um lugar isolado nos Alpes retornam para casa como se o hiato no tmulo no tivesse existido nem afetado seu corpo e sua mente. Mas a quebra da ordem natural destri o equilbrio dos vivos, esgarando tanto o tecido ntimo e familiar quanto a convivncia social. Numa chave apocalptica,  essa tambm a ideia explorada numa srie inglesa sobre zumbis. Os mortos-vivos de In the Flesh. da BBC, so reincorporados ao cotidiano de uma cidade do interior aps a descoberta de um remdio que, ministrado em doses dirias por meio de uma injeo na medula, faz com que os devoradores de crebros se convertam de novo em pacatos humanos. Mais uma vez, a suposta volta  normalidade se revela ilusria. 
     O novo filo da teledramaturgia fantstica repete a estratgia narrativa consagrada pelo produtor J.J. Abrams em Lost. Assim como na srie exibida entre 2004 e 2010, as tramas vo saltando de um mistrio para dentro de outro mistrio, num crescendo intrigante. Mas a forma no seria to eficaz se no servisse para embalar um contedo poderoso: a ideia da ressurreio. Eis a uma crena persistente no imaginrio humano  e no se est falando apenas do exemplo bvio, o retorno de Jesus Cristo da "Manso dos Mortos'' no terceiro dia aps a crucificao. Na Grcia antiga, o evento do Apophrades, quando se acreditava que os mortos se dirigiam de volta a seus lares, era motivo de temor e celebrao. A literatura e o cinema h muito vm explorando esse veio. O romance Pedro Pramo, do mexicano Juan Rulfo (1917-1986), se passa numa cidade habitada por mortos. Em Cemitrio Maldito, filme de 1989 baseado num livro de Stephen King, um pai desesperado enterra o filho num terreiro indgena com o fim de ressuscit-lo. S desencadeia o horror. E, em Incidente em Antares, o derradeiro romance do gacho rico Verssimo, uma greve de coveiros faz com que os defuntos da semana vaguem sem parar pela cidade, bisbilhotando os vivos. 
     Resurrection e Les Revenants (Os Retornados) manipulam a nsia dos que perderam entes queridos em ver preenchido o vazio deixado por sua ausncia. "Comecei a pensar na srie quando passava por um divrcio. Percebi que a sensao de ficar para sempre sem algum com quem convivi por tanto tempo era a mesma que tive quando uma tia morreu de cncer. A perda  um denominador comum da humanidade", disse a VEJA Aaron Zelman, roteirista de Resurrection. Ele jura, alis, que sua srie no  uma reencarnao da similar francesa. Enquanto essa ltima se baseia em um filme de 2004, Resurrection se inspira num romance lanado no ano passado. Mas o fato  que h mil detalhes em comum entre ambas, como o hbito dos "retornados" de comer de forma compulsiva e nunca dormir. "Uma coisa eu garanto: eles no so aliengenas", diz o roteirista. 
     Les Revenants , sem dvida, superior. Se a rival americana tem um clima s vezes sentimental demais, a srie francesa no passa a mo na cabea do espectador. Da atitude ambgua das autoridades  abordagem do suicdio, no h subterfgios. Mais poltica que filosfica, In the Flesh tambm no oferece consolao. A cura dos zumbis no elimina a aparncia monstruosa deles, tampouco a monstruosidade instaurada entre os vivos pelo advento da praga: os zumbis usam lentes de contato para esconder seus olhos vidrados e, assim, no ser linchados por milcias. A confuso emocional  absoluta: ao receberem em casa seus parentes reintegrados, pessoas que at ento se orgulhavam de trucidar zumbis so tocadas por um misto de afeto e repulsa. 
     Ao fim e ao cabo, as trs sries se equivalem no mrito de sua mensagem. Nelas, a morte no torna ningum melhor: como qualquer pessoa, os retornados tm de arcar com suas escolhas. O aspecto mais perturbador, entretanto,  a demolio da esperana de que a volta dos mortos possa tornar tudo como era antes. Como se o tempo cuidasse de preencher o espao que antes ocupavam, eles j no tm lugar entre os que os amam. Do modo mais desiludido, comprova-se o lugar-comum  a vida continua. 

O VIVO-MORTO
A excepcional Rectify no lana mo de zumbis ou fantasmas para falar do transtorno social causado pela volta de um morto-vivo. Valendo-se de um realismo austero, a srie do Sundance Channel - cujos direitos de exibio no Brasil esto em negociao pelo canal GNT - consegue ser mais impactante que suas congneres fantsticas. O protagonista Daniel Holden (Aden Young)  um morto em sentido figurado: preso aos 18 anos sob a acusao de estuprar e matar uma garota, ele passou dezenove anos no corredor da morte e foi libertado graas a uma tecnicalidade forense. Mas isso no significou uma absolvio. Da mesma forma que os mortos de Resurrection causam desconfiana, a dvida sobre sua inocncia  a sombra que persegue Daniel. Como os zumbis de In the Flesh, sua liberdade incomoda muita gente, de um senador que fez fama explorando o caso ao meio-irmo mesquinho - e passando por justiceiros locais. Infantilizado e carregando uma melancolia que Young traduz s com sua postura e expresso, Daniel se arrasta como uma assombrao por sua cidade, na sulista Gergia. Dos produtores de Breaking Bad, Rectify  barra-pesada, mas alterna a violncia com momentos pungentes verdadeiramente humanistas. A cena em que o carente Daniel  socorrido pelos prstimos sexuais de uma cabeleireira tira o cho do espectador. 


9#2 CULTURA  DA MATRIA DOS SONHOS
Um convite para celebrar os 450 anos de William Shakespeare: leia A Tempestade, seu testamento criativo.
JERNIMO TEIXEIRA

     Flagelado, humilhado, pregado  cruz, Jesus ainda encontra foras, segundo conta o Evangelho de Lucas, para interceder por seus algozes: "Pai, perdoai-os, porque no sabem o que fazem". A beleza literria do perdo in extremis arrebata at os no cristos. Mas considere-se, ao lado do Cristo de So Lucas, o Prspero de William Shakespeare. Ancio, mas ainda lcido e vigoroso, e do alto dos poderes que tem sobre as foras da natureza, o monarca deposto de Milo encontra oportunidade de vingar-se daqueles que o traram e exilaram, acompanhado da filha pequena, Miranda, em uma ilha perdida do Mediterrneo  e que, mais grave, assim agiram sabendo muito bem o que faziam. No entanto, Prspero perdoa at o irmo conspirador, Antonio, e o usurpador Alonso, rei de Npoles. Nesta Semana Santa em que as palavras da cruz so relembradas, celebram-se tambm os 450 anos de William Shakespeare (1564-1616), cujo aniversrio costuma ser fixado em 23 de abril, embora no exista registro da data exata. Suas criaes mais clebres so tramas palacianas de perfdia, crime, traio  Macbeth, Otelo, Rei Lear. E, no teatro ingls ao tempo dos monarcas Elizabeth I e Jaime I, as revenge plays (pecas de vingana) constituam um gnero dramtico  parte, conquistando pblico com cenas sangrentas. Shakespeare, no entanto, deixa o palco com um ato de perdo. 
     A rigor, A Tempestade no  o ltimo trabalho do bardo, que ainda colaborou com outros dramaturgos em trs textos. Mas a pea pode ser lida como o testamento de Shakespeare. Prspero, o protagonista, age como dramaturgo e diretor (figura, alis, que no existia no teatro elizabetano), orientando a ao: provoca a tempestade que leva at sua ilha o navio no qual viajam seus inimigos, cria iluses e fantasmagorias elaboradas, faz personagens adormecerem. Shakespeare j usara o recurso de apresentar peas de teatro dentro de suas peas de teatro  notadamente, em Hamlet e Sonho de uma Noite de Vero. A Tempestade vai alm: o crtico canadense Northrop Frye diz que "o tema da pea  a produo de outra pea"  a cargo, claro, de Prspero. 
 difcil no identificar o poder demirgico do duque milans com o imenso gnio criativo de Shakespeare, esse elusivo prodgio que, ao contrrio de dramaturgos concorrentes como Christopher Marlowe e Ben Jonson, nunca se sentou em um banco universitrio, mas parecia capaz de escrever sobre tudo  direito, poltica, medicina (e, nesta pea, navegao). Em Milo, Prspero se deixou depor apenas porque dava ateno demais aos estudos de ocultismo, negligenciando os deveres de Estado.  s na ilha, porm, que ele se converte de fato em mago, to poderoso que transforma em serviais as criaturas mgicas que l viviam  o espiritual Ariel e o bestial Caliban. Quando Prspero fala da natureza ilusria das coisas em seu monlogo mais conhecido  "somos feitos da matria dos sonhos, e a breve vida que temos  cercada de sono" , ele parece falar ao mesmo tempo do mundo fsico cotidiano e do universo de fantasia que se monta sobre o palco. E quando, no monlogo final, Prspero renuncia  magia e diz que, de volta a Milo, a cada trs pensamentos que tiver, um ser devotado  sua morte iminente,  como se ouvssemos Shakespeare anunciando sua retirada dos palcos londrinos: em alguma data imprecisa depois da estreia de A Tempestade, em 1611, ele voltou para sua cidade natal, Stratford-upon-Avon, onde morreu. 
     "Prspero no  Shakespeare, mas a possibilidade de identificao  mais forte que com outros personagens", diz o crtico A.D. Nuttall, em Shakespeare the Thinker (Shakespeare, o Pensador). Nuttall descobre uma nota de desiluso nessa pea outonal: as motivaes de Prspero so obscuras, seu perdo  reticente, e a viso do mundo como um teatro de iluses , no limite, niilista. Esta seria, diz Nuttall, a pea de um autor que se aposenta com certa vergonha de ter dedicado a vida ao palco. Pode ser. Ao mesmo tempo  tal  a multiplicidade de Shakespeare , a pea tambm  uma celebrao da humanidade. No do ser humano redimido pela religio, nem da criatura quase angelical que povoa os sonhos de utopistas (como Gonzalo, o nobre amigo de Prspero que, ao chegar  ilha, projeta no ar uma comunidade selvagem e idlica), mas do ser humano tal como , contingente, mesquinho  at monstruoso, como o deformado Caliban, capaz de uma poesia encantadora em suas falas. 
     Prspero, ao rejeitar a magia que o fazia sobre-humano, anuncia o destino de seu volume de feitios: "Afogarei o meu livro".  um dos versos mais curiosos dessa pea misteriosa. O testamento de Shakespeare  e esse  um fato que muito intrigou bigrafos e estudiosos  menciona propriedades, objetos pessoais, mveis. No fala de livros. 


9#3 VEJA RECOMENDA
CINEMA
O PALCIO FRANCS (QUAI D'ORSAY, FRANA, 2013. J EM CARTAZ)
 Recm-formado na prestigiosa cole Nationale d'Administration, Arthur Vlaminck (Raphal Personnaz)  convocado pelo ministrio francs das Relaes Exteriores. Na atrapalhada entrevista de emprego, ele recebe duas informaes vitais: dizem que ele se veste muito mal e que ser o novo responsvel pela "linguagem" do ministro Taillard de Worms (Thierry Lhermitte). Nos dias seguintes, Vlaminck aprender muito sobre ternos e gravatas enquanto tenta se concentrar  em meio  balbrdia de uma equipe  beira de um ataque de nervos  para escrever os discursos do poltico fanfarro e hiperativo que muda de ideia a cada cinco minutos. Felizmente ele pode contar com o apoio do chefe de gabinete, Claude Maupas (Niels Arestrup, ofuscando todos os presentes), uma inabalvel raposa velha. H tambm a encarregada dos assuntos africanos, interpretada pela atriz Julie Gayet, que na vida civil foi o piv da separao do presidente francs Franois Hollande. Mas a farsa do diretor Bertrand Tavernier  baseada nas memrias de um diplomata que trabalhou com o ex-ministro Dominique de Villepin   to acidamente divertida que dispensa qualquer acessrio d'escandale.

TELEVISO
BROOKLYN NINE-NINE (ESTREIA NESTA SEGUNDA-FEIRA, S 21H, NO TBS MUITODIVERTIDO)
 Os roteiristas Michael Schur e Dan Goor so especialistas em retratar diferentes ambientes de trabalho por um vis satrico. Schur foi um dos autores da verso americana de The Office, sobre o cotidiano de um escritrio. Ao lado de Goor, comanda a igualmente afiada Parks and Recreation, sobre uma repartio pblica. Nesta sua nova srie, a dupla se lana  explorao cmica de uma delegacia de subrbio. Os tiras e oficiais lotados no 99 Distrito do bairro nova-iorquino do Brooklyn esto mais preocupados com a sobrevivncia em meio  politicagem que com suas investigaes de crimes midos do bairro. Andy Samberg, talento que despontou na internet e se consagrou no humorstico Saturday Night Live, faz o protagonista Jake Peralta  um tipo insolente e atrapalhadssimo. Mas o talism da srie  seu chefe, Ray Holt (Andr Braugher). Tratar um detalhe capcioso de sua vida pessoal  o capito  gay assumido  como algo natural no ambiente supostamente machista de uma delegacia  a grande sacada dos roteiristas. A transmisso nacional ser dublada, mas o espectador tambm poder assistir  verso com som original. Ainda bem.

LIVROS
A EXTRAORDINRIA VIAGEM DO FAQUIR QUE FICOU PRESO EM UM ARMRIO IKEA, DE ROMAIN PURTOLAS (TRADUO DE MAURO PINHEIRO; RECORD; 256 PGINAS; 30 REAIS)
 Ajatashatru Ahvaka Singh impressiona multides no Rajasto, estado da ndia. Em suas apresentaes pblicas, engole espadas, come cacos de vidro e enfia agulhas nos braos.  tudo truque  e nem to elaborado assim: as espadas, muito obviamente, so retrateis , mas basta para que Singh conquiste a fama de grande faquir. Seu prestgio  tal que ele at consegue convencer a populao da vila onde vive a financiar sua sonhada viagem  Frana. Em Paris, ele vai em busca de um curioso objeto de desejo: uma cama da Ikea, conhecida rede sueca de mveis. No txi entre o aeroporto e a loja, Ajatashatru saca uma nota falsa de 100 euros  e ainda a rouba de volta do taxista, por meio de um elstico oculto. Esse consumado farsante, capaz de andar por toda a Paris com uma nica cdula fajuta, carrega uma comicidade pop  e meio cnica  que fez do romance de Romain Purtolas, 38 anos, um sucesso, com 250.000 exemplares vendidos na Frana.

O LABIRINTO DA SOLIDO, DE OCTAVIO PAZ (TRADUO DE ARI ROITMAN E PAULINA WACHT; COSACNAIFY; 320 PGINAS; 69 REAIS)
 Um dos maiores poetas latino-americanos do sculo XX, o mexicano Octavio Paz (1914-1998), Nobel de Literatura de 1990, foi tambm um grande ensasta, dono de uma impressionante envergadura intelectual. Escreveu ensaios fundamentais sobre a natureza da poesia  sobretudo, O Arco e a Lira, tambm reeditado recentemente pela Cosac-Naify. E tambm obras de cunho histrico e poltico, como este O Labirinto da Solido, que ganha nova traduo no Brasil quando se celebra o centenrio de nascimento do autor. Lanado em 1950 e revisado por Paz em 1959, o livro est para o Mxico como Razes do Brasil, de Srgio Buarque de Holanda, ou Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, esto para o Brasil:  uma vasta explorao histrica da identidade nacional. Paz vale-se de instrumentos da antropologia e at da psicanlise para revisar a formao do Mxico, desde os povos pr-colombianos at o dias em que o livro foi escrito, quando o pas era dominado pelo Partido Revolucionrio Institucional. Posfcios e uma entrevista de 1975 complementam esta obra, que o autor definiu como um "exerccio de imaginao crtica".

DVD
QUESTO DE TEMPO
(ABOUT TIME, INGLATERRA, 2013. UNIVERSAL)
 Aos 21 anos, Tim (Domhnall Gleeson) descobre que, como todos os homens de sua famlia, tem uma habilidade incomum:  capaz de viajar de volta no tempo para qualquer ponto de sua vida. Basta se trancar no quarto, pensar bem no instante para o qual deseja retornar, e pronto  l estar ele, revivendo uma situao j conhecida e, com sorte, saindo-se melhor nela que da primeira vez.  um dom que vem a calhar quando o tmido, atrapalhado e adorvel Tim se apaixona por Mary (Rachel McAdams), ou quando seu pai (Bill Nighy) conta a ele que est  morte. Mas o que significa viver a vida? Refaz-la sempre melhor ou aprender a apreci-la no momento em que ela est acontecendo? Como em todos os filmes escritos e/ou dirigidos por Richard Curtis (Simplesmente Amor, O Dirio de Bridget Jones, Um Lugar Chamado Notting Hill, Quatro Casamentos e Um Funeral), aqui no h gente mesquinha nem dor que no possa ser aliviada com algum amor. E  por Curtis acreditar sinceramente no poder da gentileza que o resultado  to cativante. 


9#4 OS LIVROS MAIS VENDIDOS
FICO
1- A Culpa  das Estrelas. John Green. INTRNSECA
2- Quem  Voc, Alasca? John Green. MARTINS FONTES
3- Divergente. Veronica Roth. ROCCO 
4- Convergente. Veronica Roth. ROCCO
5- A Menina que Roubava Livros. Markus Zusak. INTRNSECA 
6- O Teorema Katherine. John Green INTRNSECA 
7- Cidades de Papel. John Green. INTRNSECA 
8- a Guerra dos Tronos. George R.R. Martin. LEYA BRASIL
9- Fim. Fernanda Torres. COMPANHIA DAS LETRAS
10- Adultrio. Paulo Coelho. SEXTANTE

NO FICO
1- Demi Lovato  365 Dias do Ano. Demi Locato. BEST SELLER
2- O Tempo  um Rio que Corre. Lya Luft. RECORD
3- Assassinato de Reputaes. Romeu Tuma Jr. TOPBOOKS 
4- Sonho Grande. Cristiane Corra. PRIMEIRA PESSOA 
5- A Estrela que Nunca Vai Se Apagar. Esther Earl. INTRNSECA 
6- 1889. Laurentino Gomes. GLOBO 
7- Eu Sou Malala. Malala Yousafzai. COMPANHIA DAS LETRAS
8- Um Sorriso ou Dois. Frederico Elboni. SARAIVA 
9- Da Minha Terra  Terra. Sebastio Salgado. PARALELA 
10- O Livro da Psicologia. Nigel Benson. GLOBO 

AUTOAJUDA E ESOTERISMO
1- Ansiedade. Augusto Cury. SARAIVA
2- Foco. Daniel Goleman. OBJETIVA
3- Pais Inteligentes Formam Sucessores, No Herdeiros. Augusto Cury. BENVIR
4- Kairs. Padre Marcelo Rossi. PRINCIPIUM 
5- Eu Me Chamo Antonio. Pedro Gabriel. INTRNSECA
6- O Que Falta para Voc Ser Feliz? . Dominique Magalhoes. GENTE
7- Casamento Blindado. Renato e Cristiane Cardoso. THOMAS NELSON BRASIL 
8- Transformando Grama em Ouro. Julio Casares. GENTE
9- O Monge e o Executivo. James Hunter. SEXTANTE 
10- A Magia. Rhonda Byrne. SEXTANTE


9#5 J.R. GUZZO  A CASA NO PODE CAIR
     Todo brasileiro de olhos abertos para o que est acontecendo no pas em geral, e na sua prpria vida em particular, sabe muito bem que a coisa est preta. H mil e uma razes para isso, como se pode verificar todos os dias pelo noticirio; seria pretensioso, alm de intil, tentar fazer uma lista de todas. Basta dizer, para encurtar o assunto, que, segundo as ltimas pesquisas de opinio, mais de 70% da populao acha que assim no vai, e quer mudanas na ao do governo como um todo. Ser que os brasileiros, finalmente, se convenceram de que esto sendo dirigidos por um dos governos mais incompetentes que j tiveram de aguentar  ou, possivelmente, o mais incompetente de todos? Mais interessante ainda: a propaganda descomunal que o poder pblico soca todos os dias em cima da populao e o uso sistemtico da mentira talvez j no estejam dando os resultados que costumam dar. A presidente Dilma Rousseff, por exemplo, ameaa combater a corrupo na Petrobras, mas diz que os "inimigos da empresa so os que sugeriram mudar seu nome para "Petrobrax", cerca de quinze anos atrs, com a inteno secreta de liquid-la  e, ao mesmo tempo, faz tudo para impedir que se investigue a roubalheira pblica de hoje. Quanta gente acredita num desvario desses? Tudo bem. O Brasil est em petio de misria, e o presente j  um caso perdido. A pergunta, agora,  a seguinte: as coisas vo mudar para melhor depois da eleio presidencial de outubro ou vo ficar piores ainda?  
     Vo ficar piores, com certeza, se o Brasil no sair da armadilha que o governo, o PT e o ex-presidente Lula montaram: eles tm de ganhar todas, pois no podem mais admitir a alternncia de poder. Se admitirem, a casa cai, e a casa no pode cair  pois os que mandam no pas no conseguem mais viver fora do governo. Manter-se no poder todo mundo quer, nas melhores democracias do mundo. O problema atual do Brasil  que o PT no apenas quer continuar: precisa continuar, pois, se sair, o mundo de privilgio que construiu para si prprio nos ltimos onze anos vai direto para o espao.  essa ansiedade, e nada mais, que acaba de trazer Lula para dentro da campanha eleitoral  se Dilma continuar caindo nas pesquisas,  pouco provvel que ele prprio e seu partido digam "que pena", e fiquem s olhando o desastre acontecer na sua frente. A, para no perderem a situao de proprietrios privados do Brasil que conseguiram obter de 2003 para c, tudo passa a valer: a presidente pode ser desembarcada sem maior cerimnia do seu posto de candidata  reeleio, e Lula entraria na disputa para salvar a pele de todos. Como explicar essa deposio de Dilma para o pblico? Inventa-se uma histria qualquer  esse tipo de coisa jamais foi problema para Lula, um artista em escapar das situaes mais sinistras sem explicar nada. A companheirada, por sua vez, dir que lamenta  mas que a volta de Lula  essencial para salvar o "projeto do PT'', caso ele esteja ameaado de "destruio" pela "direita", pela "grande mdia", pelos que "no se conformam" com a vitria da classe operria etc. Se a oposio ganhar, dizem, ser a "volta da ditadura"  e no  possvel permitir tal crime. 
     "Projeto do PT"? Que diabo seria isso? Nada mais simples: o projeto do PT  no ter projeto nenhum. Em vez de trabalhar para construir um Brasil mais justo, confortvel e promissor para os brasileiros, todo o esforo do partido se concentra em no largar o osso do governo. No se trata de desejo:  necessidade. O que muda, se sarem, no  nada que tenha a ver com ideias, princpios ou valores; o que muda, no duro,  a sua vida material. Vo-se embora os 20.000 altos empregos que tm no governo federal. Vo-se embora as oportunidades ilimitadas de negcios com o poder pblico. Vo-se embora as Pasadenas, os mensales, a compra de certas empresas de videogames por empreiteiras de obras, na base dos 10 milhes de reais. Ficam as fortunas criadas nos pores da Petrobras. Ficam as rosemarys, os youssefs e milhares de outros como eles. Ficam o caviar de Roseana Sarney, os jatinhos, os planos mdicos milionrios. Ficam as dirias de hotel a 8000 euros. Fica um STF obediente. Mais que tudo, fica garantida a impunidade. 
     O PT, como observou h pouco o ex-deputado Fernando Gabeira,  um partido que se baseia totalmente na obedincia; no valem nada, ali, mrito, talento ou competio sadia. A nica maneira de subir na vida  obedecendo a Lula  e para isso  indispensvel que Lula, ou algum dos seus postes, esteja no governo. 


